quarta-feira, março 16, 2011

Aprendendo a viver


“Não imagines que um homem é feliz quando o seu equilíbrio depende da felicidade material. Quem faz o seu contentamento provir daquilo que vem de fora apóia-se em bases frágeis. Toda alegria que assim entra irá embora, mas aquela que nasce de si é segura e sólida; ela aumenta e acompanha nossa caminhada até o fim.

Quanto aos bens tão admirados pelo vulgo, não são bens senão por um dia. “Mas então não podemos encontrar aí proveito e prazer?” Ninguém nega, desde que eles dependam de nós e não nós deles.
Tudo o que provém da fortuna não traz fruto algum, nenhuma satisfação, se o possessor não possui a si mesmo e não toma posse daquilo que lhe pertence.
É um abuso, Lucílio, supor que a fortuna tenha o poder de nos fazer o bem ou o mal; ela fornece a matéria de nossos bens e de nossos males, os elementos daquilo que junto de nós se desenvolverá em bem ou mal.
Pois a alma é mais poderosa que todos os esforços da fortuna. No bom ou no mau sentido, a alma dirige os seus destinos soberanamente e não deve senão a ela própria sua felicidade ou miséria.
Se é má, transforma tudo num mal, mesmo aquilo que se apresenta sob a aparência do maior bem; se é reta e sã, corrige todos os erros da fortuna, ameniza seus rigores praticando a arte da tolerância, acolhendo com reconhecimento e modéstia a prosperidade e com firmeza e valentia as desgraças.”


(Sêneca – Aprendendo a viver – Martins Fontes)

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