quinta-feira, agosto 25, 2011

O esperto...


(...) ele se achando o esperto, resolveu pegar atalhos nos caminhos para a felicidade. Traiu, enganou, fugiu, esqueceu, não partilhou, desmereceu e iludiu; tudo para alcançar o seu intento e o seu prazer, saciando seus desejos e despindo os corações de doçura e fé, trajando orgulho a descansar macio em sua própria sombra. Mas quando na falsa trilha caminhava, viu-se sem saída. O Amor o encontrou, a dar-lhe uma surra, uma sova, e uma lição; do jeito que só o Amor poderia dar. O Amor sem lhe tocar, fez ele doer; exatamente por não (mais) se aproximar. O Amor fez ele chorar, com suas próprias mentiras. O Amor fez ele sofrer, e por isso correr; todo assustado, no caminho de volta pra casa. E sem perceber onde tinha se metido, pisou nas farpas e dores, rasgou a pele com doçuras, tropeçou no vento, engasgou com as cores e negou o sol e o céu por três vezes antes da Vida começar a cantar. Vestindo ego pesado, cansou-se desesperado exijindo alcançar o horizonte. Tornou-se cego da Alma e amante do desamparo. Só que, voltou o Amor a encontrá-lo, caído sobre suas lágrimas em abrigo de tristeza; e achando ser o momento, brindou-o com remédio em sopro na Alma, que dizia mais ou menos assim: Como pode reclamar de ingratidão se quando semeias morango, é morango que colhes? Como exigir a boa sorte se é você quem faz por merecer? Como pedir doçuras se és tu quem tortura e entorta? Como orar pra Vida se preenche teu coração com tristezas? Como buscar a Verdade se olhas pro outro lado? Como pedir pela mudança se a luz revela no espelho, a mesma escolha? Como pode reclamar de desamparo se, quando olha pro alto, a Lua inteira te acompanha? E depois de tanto, sorriu por despertar, sabendo do único privilégio ainda concedido ao seu peito: bebeu e comeu do perdão. Salvou-se do naufrágio. Mergulhou no recomeço.
 
Fonte: http://arkhipelago.blogspot.com/

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